Category Sem Destino

No teu poema

No teu poema
Existe um verso em branco e sem medida
Um corpo que res­pira, um céu aberto
Janela debru­çada para a vida.
No teu poema
Existe a dor calada lá no fundo
O passo da cora­gem em casa escura
E aberta, uma varanda para o Mundo.

Existe a noite
O riso e a voz refeita à luz do dia
A festa da Senhora da Ago­nia
E o can­saço do corpo que ador­mece em cama fria.
Existe um rio
A sina de quem nasce fraco ou forte
O risco, a raiva, a luta de quem cai ou que resiste
Que vence ou ador­mece antes da morte.

No teu poema
Existe o grito e o eco da metra­lha
A dor que sei de cor mas não recito
E os sonos inqui­e­tos de quem falha.
No teu poema
Existe um can­to­chão alen­te­jano
A rua e o pre­gão de uma varina
E um barco asso­prado a todo o pano.

Existe a noite
O canto em vozes jun­tas, vozes cer­tas
Can­ção de uma só letra e um só des­tino a embar­car
O cais da nova nau das des­co­ber­tas.
Existe um rio
A sina de quem nasce fraco, ou forte
O risco, a raiva e a luta de quem cai ou que resiste
Que vence ou ador­mece antes da morte.

No teu poema
Existe a espe­rança acesa atrás do muro
Existe tudo mais que ainda me escapa
E um verso em branco à espera… do futuro.

( letra: José Luís Tinoco )

Ver­são Mafalda Arnauth: http://www.youtube.com/watch?v=5kvIq2WUEPc

Catarsis…

Ao rever mais um filme deno­mi­nado come­dia român­tica, apercebo-me que há uma cons­tante na minha vida. Uma ver­dade uni­ver­sal, que pode ou não ser exclu­siva da minha forma de enca­rar o mundo, mas que ainda assim me deixa mais triste e com o san­gue a fer­ver. E tudo por­que, de facto, sei muito bem que é assim. E sei-o há muito tempo. E não faço nada em rela­ção a isso.
Inde­pen­den­te­mente dos sobres­sal­tos de uma vida, das par­ti­das que a vida nos prega, temos que ser nós a lutar pela vida que que­re­mos, por opo­si­ção a espe­rar que as peças se encai­xem por obra e graça do espí­rito santo…
E, claro, que com o reco­nhe­ci­mento desse facto, enfa­ti­zado pelo visi­o­na­mento dessa rea­li­dade em “true hollywood form”, a rai­vi­nha cresce cá den­tro e a sen­sa­ção de impo­tên­cia que temos como com­pa­nheira dia após dia fazem com que entre­mos numa ver­da­deira espi­ral des­cen­dente.
A ques­tão é, depois disto tudo, o que fazer?
A res­posta, embora óbvia, é a mais difí­cil de todas. E falar, ou escre­ver, sobre o assunto, embora catár­tico, não chega para uma boa noite se sono.
A última boa noite de sono que tive, passei-a no Hos­pi­tal de Santa Marta, na última semana antes de ter alta. Já pas­sou mais de um ano.
E é assim que acabo de ver mais uma pro­du­ção tipi­fi­cada do romance a cor­del que todos gos­ta­mos, quer o admi­ta­mos ou não…

The Reason

Revejo nesta musica a espe­rança com que acordo todos os dias, mesmo que o cin­zento do pas­sado e a incer­teza do futuro me acom­pa­nhem a cada minuto…

The Rea­son — Hoobastank

“I’m not a per­fect person
There’s many things I wish I didn’t do
But I con­ti­nue learning
I never meant to do those things to you
And so I have to say before I go
That I just want you to know
I’ve found a rea­son for me
To change who I used to be
A rea­son to start over new
And the rea­son is you
I’m sorry that I hurt you
It’s something I must live with every day
And all the pain I put you through
I wish that I could take it all away
And be the one who cat­ches all your tears
That’s why I need you to hear
I’ve found a rea­son for me
To change who I used to be
A rea­son to start over new
And the rea­son is you
And the rea­son is you
And the rea­son is you
And the rea­son is you
I’m not a per­fect person
I never meant to do those things to you
And so I have to say before I go
That I just want you to know
I’ve found a rea­son for me
To change who I used to be
A rea­son to start over new
And the rea­son is you
I’ve found a rea­son to show
A side of me you didn’t know
A rea­son for all that I do
And the rea­son is you”
Agora só pre­ciso de o can­tar vezes sufi­ci­en­tes para que tudo o que sonho se concretize…Ouçam.

Perdido, isolado

Sinto-me per­dido, isolado.

As minhas bases nao exis­tem mais.

As minhas anco­ras partiram-se e eu fiquei à deriva.

Restam-me os desa­ba­fos e a música mais ou menos melancólica.

Restam-me os copos de vinho tinto que sabo­reio em oca­si­o­nais noi­tes de fuga.

Restam-me as lágri­mas e solu­ços con­ti­dos, escon­di­dos do mundo.

Anos depois des­lindo o mis­té­rio das minhas acções.

Anos depois penso no que teria acon­te­cido se tivesse agido de outra forma.

E mesmo depois de muito pen­sar e das óbvias conclusões,

Sinto-me per­dido, isolado.

Por­que me perdi, me isolei.

Deixei-me per­der, nunca me encontrei.

Por­que trouxe comigo a soli­dão a que me abandonei.

Restam-me os jogos de pala­vras, tris­tes rimas.

Restam-me os erros gramaticais

Que mini­mi­zam a força dos gritos.

Que per­mi­tem que as lágri­mas sequem.

Que me dei­xam ainda mais perdido.

Sinto-me per­dido, isolado.

Sem mais pala­vra escrita, sem mais um traço dado…

Valsa de um homem carente — Jorge Palma

Natal 2009…

Natal de 2009… Já pas­sou. O stress, o lixo, as pren­das com­pra­das à última hora. O trân­sito, o caos nos trans­por­tes. A publi­ci­dade que nos invade todos os poros. O baru­lho das cri­an­ças exci­ta­das. O papel de embru­lho espa­lhado pelo chão da sala. As pre­sen­ças, as ausências.

O pri­meiro Natal sem apoios, sem rede, sem refú­gios emo­ci­o­nais. Sem a minha mãe nem a minha avó, ausen­tes, por moti­vos e cir­cuns­tân­cias diferentes.

Inde­pen­den­te­mente des­ses moti­vos, o facto é que as mulhe­res que me cri­a­ram, me edu­ca­ram e fize­ram de mim o homem que sou hoje, não esti­ve­ram comigo. Ou eu com elas.

Sinto muita falta do riso da minha mãe, das suas pala­vras sábias e por vezes tem­pe­ra­da­mente sar­cás­ti­cas. Do seu apoio incon­di­ci­o­nal. Sinto falta da sua face, dos olhos mei­gos de mãe, que me faziam sen­tir uma cri­ança sem­pre que me olhava. Sinto falta dos jan­ta­res que ela ofe­re­cia pelo Natal, com todas as suas “mari­qui­ces”, como lhe cha­má­va­mos, as peque­nas coi­sas que faziam esses jan­ta­res extraordinários.

Sinto falta do sor­riso da minha avó. De a sen­tir como a segunda mãe, sem­pre pre­sente. Dos seus cozi­nha­dos (e os da minha mãe tam­bém). Das suas con­tra­di­ções típi­cas de avó: “Estás muito gordo… Toma lá um risotto ai funghi para o almoço…”.

Sinto falta de tudo o que fazia dos meus Natais supor­tá­veis. Não me inter­pre­tem mal, prin­ci­pal­mente depois de ser pai, o Natal assu­miu um novo papel na minha vida mas, à excep­ção da minha pró­pria expe­ri­ên­cia enquando cri­ança, nunca fui muito fã do Natal, sem con­tar com a ques­tão das ilu­mi­na­ções Nata­lí­cias, claro. Fora isso, os quin­zes dias que ante­ce­dem o dia 25 de Dezem­bro, em que somos inun­da­dos pela “soli­da­ri­e­dade” da época, nunca me diziam muito. Só a pers­pec­tiva de estar com “as minhas mulhe­res” ate­nu­ava o sen­ti­mento de estar desen­qua­drado com esta realidade.

Parece-me que o que me fal­tava para cres­cer, acon­te­ceu. Pode­mos che­gar aos 50 e sentirmo-nos cri­an­ças mas acre­di­tem, quando per­de­mos as nos­sas fun­da­ções, as bases sobre as quais toda a nossa vida se ergueu, somos for­ça­dos a cres­cer, mesmo. E agora que me acon­te­ceu a mim, con­sigo aperceber-me e enten­der melhor outros casos semelhantes.

Dizem que é por esta altura que faze­mos con­tas à vida e toma­mos deci­sões para o pró­ximo ano. Pois bem, eu tomo deci­sões para a semana que vem e já é uma sorte. Depois de 2009, tenho a cer­teza que fazer pla­nos a longo prazo é uma per­feita inu­ti­li­dade e perda de tempo. E recur­sos. Pelo menos no plano pes­soal. Pro­fis­si­o­nal­mente, já é outra história…

Natal de 2009… Já pas­sou. Venha lá 2010 que eu tenho coi­sas para fazer.

Photoblog

Está online a minha ten­ta­tiva de pho­to­blog. Ten­ta­rei actualizá-lo tanto quanto pos­sí­vel. Podem encontrá-lo aqui.

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