Natal de 2009… Já passou. O stress, o lixo, as prendas compradas à última hora. O trânsito, o caos nos transportes. A publicidade que nos invade todos os poros. O barulho das crianças excitadas. O papel de embrulho espalhado pelo chão da sala. As presenças, as ausências.
O primeiro Natal sem apoios, sem rede, sem refúgios emocionais. Sem a minha mãe nem a minha avó, ausentes, por motivos e circunstâncias diferentes.
Independentemente desses motivos, o facto é que as mulheres que me criaram, me educaram e fizeram de mim o homem que sou hoje, não estiveram comigo. Ou eu com elas.
Sinto muita falta do riso da minha mãe, das suas palavras sábias e por vezes temperadamente sarcásticas. Do seu apoio incondicional. Sinto falta da sua face, dos olhos meigos de mãe, que me faziam sentir uma criança sempre que me olhava. Sinto falta dos jantares que ela oferecia pelo Natal, com todas as suas “mariquices”, como lhe chamávamos, as pequenas coisas que faziam esses jantares extraordinários.
Sinto falta do sorriso da minha avó. De a sentir como a segunda mãe, sempre presente. Dos seus cozinhados (e os da minha mãe também). Das suas contradições típicas de avó: “Estás muito gordo… Toma lá um risotto ai funghi para o almoço…”.
Sinto falta de tudo o que fazia dos meus Natais suportáveis. Não me interpretem mal, principalmente depois de ser pai, o Natal assumiu um novo papel na minha vida mas, à excepção da minha própria experiência enquando criança, nunca fui muito fã do Natal, sem contar com a questão das iluminações Natalícias, claro. Fora isso, os quinzes dias que antecedem o dia 25 de Dezembro, em que somos inundados pela “solidariedade” da época, nunca me diziam muito. Só a perspectiva de estar com “as minhas mulheres” atenuava o sentimento de estar desenquadrado com esta realidade.
Parece-me que o que me faltava para crescer, aconteceu. Podemos chegar aos 50 e sentirmo-nos crianças mas acreditem, quando perdemos as nossas fundações, as bases sobre as quais toda a nossa vida se ergueu, somos forçados a crescer, mesmo. E agora que me aconteceu a mim, consigo aperceber-me e entender melhor outros casos semelhantes.
Dizem que é por esta altura que fazemos contas à vida e tomamos decisões para o próximo ano. Pois bem, eu tomo decisões para a semana que vem e já é uma sorte. Depois de 2009, tenho a certeza que fazer planos a longo prazo é uma perfeita inutilidade e perda de tempo. E recursos. Pelo menos no plano pessoal. Profissionalmente, já é outra história…
Natal de 2009… Já passou. Venha lá 2010 que eu tenho coisas para fazer.