Archive for category Confissões I

Epílogo II

A manhã já ia alta quando entrei em casa. Rapi­da­mente cum­pri o ritual a que me habi­tu­ara, por via das cir­cuns­tân­cias. Veri­fi­quei todos os alar­mes, fos­sem eles tra­di­ci­o­nais ou peque­nos tru­ques que apren­dera ao longo dos anos. Depois de ter a cer­teza de que não cor­ria qual­quer perigo, dirigi-me ao meu san­tuá­rio, sala secreta. Difícil […]

Epílogo I

Peguei na sacola onde guar­dara os peda­ços de vida que me res­ta­vam. Dei­xei para trás o cai­xão a que cha­mava de casa. Casa, não um lar, note-se. O cami­nho até às docas foi silen­ci­oso, não fos­sem 3h25 da madru­gada neste estra­nho inverno. Com a força que me res­tava, ati­rei a sacola ao rio, sabendo de […]

Tomo IV

O odor a san­gue persegue-me, entranha-se nos poros e enfeitiça-me. É esta a catarse. É este o momento. Encon­tro o meu reflexo no espe­lho da casa-de-banho branca, agora sal­pi­cada de ver­me­lho, já escuro. Já seco, esse san­gue. Sou eu e não sou. Neste momento não sei bem quem sou. Se um ser único, indi­vi­sí­vel, se […]

Tomo III

Os recor­tes e foto­gra­fias com­põem um estra­nho e deli­ci­oso bai­lado na parede. A pouca luz que incide pon­tu­al­mente aqui e ali dese­nha um qua­dro que me faz ficar a olhar, em transe. Ali está ela. Como sem­pre, bela, linda. A casa, o per­curso roti­neiro para o escri­tó­rio. As sai­das à hora de almoço todas as […]

Tomo II

Podia ser mais uma noite, como tan­tas outras. Podia ser. Mas depois do pre­sente, duvido que o futuro seja algo nunca menos que estra­nho. Para vocês, que me lêem, claro está. Imagino-vos a perguntarem-se, uns mais, outros menos: “onde será que ele quer che­gar?” Pois… Assim seja, eu explico. Sou eu, assas­sino con­fesso, que aqui […]

Tomo I

Tra­zia con­sigo a sacola que tanto ado­rava. Colo­rida, em far­ra­pos, como a sua alma. Sentou-se à minha frente ignorando-me des­ca­ra­da­mente. Sabia que esta­ria aqui e fê-lo de pro­pó­sito, pen­sei. Como habi­tu­al­mente, pediu um galão cla­ri­nho e um pas­tel de nata. Gulosa. Deixou-se ficar uns minu­tos. Apre­ciou a pai­sa­gem, ainda que não com­pre­enda como se consegue […]

Prólogo

Pre­fe­ria que tudo não tivesse pas­sado de um sonho. Tal­vez assim não me visse obri­gado a ter­mi­nar tudo com que sonhara ao longo da minha vida. Curta, é certo, mas ainda assim, cheia de sonhos e ambi­ções. Sentei-me no sofá aca­bado de reves­tir. O som do res­to­lhar do plás­tico trouxe-me mais uma vez de volta […]