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	<title>Ricardo Vercesi Picoto</title>
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	<description>Expiações e outras Deambulações</description>
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		<title>Zerumbete ou Zumba…</title>
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		<pubDate>Mon, 06 Sep 2010 14:28:08 +0000</pubDate>
		<dc:creator>rvercesi</dc:creator>
				<category><![CDATA[(des)Contexto]]></category>

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		<description><![CDATA[Ricardo era uma criança irrequieta mentalmente. Ao comum dos mortais, um viciado no ócio de estar o máximo de tempo possível fechado no seu quarto e isolar-se do mundo que o rodeava. Para muitos, um exemplo típico do falhado em projecto, que nunca iria conseguir construir nada de seu, nada de novo. Mas Ricardo não [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Ricardo era uma criança irrequieta mentalmente. Ao comum dos mortais, um viciado no ócio de estar o máximo de tempo possível fechado no seu quarto e isolar-se do mundo que o rodeava. Para muitos, um exemplo típico do falhado em projecto, que nunca iria conseguir construir nada de seu, nada de novo. Mas Ricardo não se deixava render aos prazeres da perguiça, antes pelo contrário. No seu pequeno mundo, bebendo todo o conhecimento que conseguisse apanhar, Ricardo alimentava a alma. O corpo, esse, era alimentado pela sua mãe, que lhe preparava os seus pratos favoritos. Afinal de contas ele estava doente, ou pelo menos era isso que ele queria que a sua mãe pensasse. Para tal, já tinha aperfeiçoado a arte de aquecer o termómetro na lâmpada  do seu candeeiro da mesinha de cabeceira, tudo com um timming ao segundo, cariando apenas consoante a temperatura que ele desejava que marcasse o velho termómetro de mercúrio. Mas, um dia, sem que nada o fizesse esperar, quando Ricardo estava apenas a dois volumes de terminar a leitura da sua Lexicoteca — 18 volumes de conhecimento geral, acompanhados de 4 sobre a língua portuguesa e mais uns quantos dedicados à Flora e Fauna mundial — a mãe de Ricardo entrou no seu quarto com um estranho sorriso que exalava confiança. Como se ela soubesse de algo que ele desconhecia. E, sem que nada o fizesse preparar, um objecto tirado de um filme de ficção científica, uma pistola de raios, um laser, um… não. Apenas um termómetro. Um termómetro electrónico. Arcaico, aos parâmetros de hoje, mas futurista há 30 anos atrás. E foi assim, com um termómetro electrónico, que Ricardo ficou sem saber o significado de palavras como <a href="http://www.priberam.pt/dlpo/default.aspx?pal=zerumbete">Zerumbete</a> ou <a href="http://www.priberam.pt/dlpo/default.aspx?pal=zumba">Zumba</a>…</p>
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		<title>Provavelmente não…</title>
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		<pubDate>Sun, 29 Aug 2010 14:51:23 +0000</pubDate>
		<dc:creator>rvercesi</dc:creator>
				<category><![CDATA[Blog]]></category>

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		<description><![CDATA[Por vezes, a vida prega-nos partidas. Pessoalmente, tem-me pregado umas quantas. Recentemente a vida deu mais uma volta e rasteirou-me novamente. Desta feita, não a título pessoal, familiar ou particular em nenhuma forma. Desta vez, profissionalmente. Estou desiludido. Sinto-me desiludido. Mas não me interpretem mal, não me sinto assim por quem tomou a opção que [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Por vezes, a vida prega-nos partidas. Pessoalmente, tem-me pregado umas quantas.</p>
<p>Recentemente a vida deu mais uma volta e rasteirou-me novamente. Desta feita, não a título pessoal, familiar ou particular em nenhuma forma. Desta vez, profissionalmente.</p>
<p>Estou desiludido. Sinto-me desiludido. Mas não me interpretem mal, não me sinto assim por quem tomou a opção que tinha que tomar. Isso é algo a que estou — penso que muitos de nós estamos — habituados a que assim seja. Não é pelos outros, é por mim. Quer queira, quer não, e mesmo sabendo que é ridículo da minha parte, não consigo deixar de me sentir desiludido comigo mesmo.</p>
<p>Esta oportunidade escapou-se-me por entre os dedos sem que eu não pudesse fazer nada e isso afecta-me. Afecta-me na minha confiança enquanto profissional. Afecta-me na minha confiança enquanto pessoa. É algo contra qual luto com todas as minhas forças. E sei que, enquanto não conseguir dar o meu <a href="http://www.infopedia.pt/$grito-do-ipiranga">grito do Ipiranga</a> não conseguirei libertar-me desta sensação idiota que me persegue desde há uns dias.</p>
<p>E se, entretanto, o meu mau humor me levar a ser menos cordial com alguns dos que me rodeiam diariamente, as minhas desculpas antecipadas.</p>
<p>Até breve.</p>
<p>[UPDATE 21:00]</p>
<p>Estive a pensar um pouco mais nesta questão e descobri que o que sinto não é tanto a desilusão. Ou por outra, não é isso que me afecta mais. O que me afecta é a frustração. A frustração por ver os meus objectivos passarem à minha frente e não ter forma de os agarrar.</p>
<p>Mais, em vez de me ficar a queixar pelos cantos — para isso bastou o dia de hoje — amanhã, erguendo-me das cinzas, volto à luta. Não será este tropeção a deitar-me abaixo. Sei quem sou profissionalmente. Sei do que sou capaz. Sei o que quero fazer e até onde quero chegar. E até hoje, nada, mas mesmo nada, me fez não cumprir os meus objectivos. Podem demorar mais do que o previsto inicialmente, é um facto, mas eu chego lá.</p>
<p>Escrevam o que eu disse…</p>
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		<title>Quem me dera ser poeta…</title>
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		<pubDate>Thu, 26 Aug 2010 23:53:45 +0000</pubDate>
		<dc:creator>rvercesi</dc:creator>
				<category><![CDATA[Deambulábulos]]></category>

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		<description><![CDATA[Oh Gente da Minha Terra… Marisa canta no YouTube. Não consigo conter uma lágrima que se escapa ao constrangimento de chorar por uma música, por uma melodia. Procuro outras, que me tocam igualmente. Descubro que quase todas as músicas com letra de Ary dos Santos me afectam profundamente. Sempre gostei da sua poesia. Cavalo à [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Oh Gente da Minha Terra… Marisa canta no YouTube. Não consigo conter uma lágrima que se escapa ao constrangimento de chorar por uma música, por uma melodia. Procuro outras, que me tocam igualmente. Descubro que quase todas as músicas com letra de Ary dos Santos me afectam profundamente. Sempre gostei da sua poesia. Cavalo à Solta, Tourada, entre outros. Mas descubro também outros poemas, outras sonoridades. No Teu Poema, de José Luis Tinoco. Sublime.</p>
<p>Quem dera poder apaixonar-me por todas as mulheres do mundo e escrever-lhes semelhantes serenatas, declarações de amor épicas, pequenas palavras do tamanho de um beijo e beijos do tamanho de um amor infinito. E deixar que as palavras se soltassem em doces melodias, musicadas pela vontade de abraçar os corpos e despir a vontade de ser apenas somente eu. Quem dera que esta noite fosse mais uma noite de saudades apaziguadas pela carícia, e um suspiro trouxesse as palavras brandas de um doce reencontro. Quem dera que tudo fossem versos emparelhados pelos olhares que cruzamos na fugaz melancolia de mais um dia. Quem me dera ser poeta…</p>
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		<title>No teu poema</title>
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		<pubDate>Thu, 26 Aug 2010 13:26:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>rvercesi</dc:creator>
				<category><![CDATA[Sem Destino]]></category>

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		<description><![CDATA[No teu poema Existe um verso em branco e sem medida Um corpo que respira, um céu aberto Janela debruçada para a vida. No teu poema Existe a dor calada lá no fundo O passo da coragem em casa escura E aberta, uma varanda para o Mundo. Existe a noite O riso e a voz [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>No teu poema<br />
Existe um verso em branco e sem medida<br />
Um corpo que respira, um céu aberto<br />
Janela debruçada para a vida.<br />
No teu poema<br />
Existe a dor calada lá no fundo<br />
O passo da coragem em casa escura<br />
E aberta, uma varanda para o Mundo.</p>
<p>Existe a noite<br />
O riso e a voz refeita à luz do dia<br />
A festa da Senhora da Agonia<br />
E o cansaço do corpo que adormece em cama fria.<br />
Existe um rio<br />
A sina de quem nasce fraco ou forte<br />
O risco, a raiva, a luta de quem cai ou que resiste<br />
Que vence ou adormece antes da morte.</p>
<p>No teu poema<br />
Existe o grito e o eco da metralha<br />
A dor que sei de cor mas não recito<br />
E os sonos inquietos de quem falha.<br />
No teu poema<br />
Existe um cantochão alentejano<br />
A rua e o pregão de uma varina<br />
E um barco assoprado a todo o pano.</p>
<p>Existe a noite<br />
O canto em vozes juntas, vozes certas<br />
Canção de uma só letra e um só destino a embarcar<br />
O cais da nova nau das descobertas.<br />
Existe um rio<br />
A sina de quem nasce fraco, ou forte<br />
O risco, a raiva e a luta de quem cai ou que resiste<br />
Que vence ou adormece antes da morte.</p>
<p>No teu poema<br />
Existe a esperança acesa atrás do muro<br />
Existe tudo mais que ainda me escapa<br />
E um verso em branco à espera… do futuro.</p>
<p>( letra: José Luís Tinoco )</p>
<p>Versão Mafalda Arnauth: <a href="http://www.youtube.com/watch?v=5kvIq2WUEPc">http://www.youtube.com/watch?v=5kvIq2WUEPc</a></p>
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		<title>As Good As It Gets</title>
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		<pubDate>Wed, 25 Aug 2010 20:32:03 +0000</pubDate>
		<dc:creator>rvercesi</dc:creator>
				<category><![CDATA[Blog]]></category>

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		<description><![CDATA[Estou sentado à mesa, depois de um jantar vulgar, diria banal, com a família e a olhar para a televisão despreocupadamente. Os últimos 15 minutos do filme “Melhor é Impossível”, que já vi inúmeras vezes, prendem-me a atenção. Helen Hunt é linda, sublime. Jack Nicholson brilhante. E apaixono-me pelas personagens e pela sua história. E [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Estou sentado à mesa, depois de um jantar vulgar, diria banal, com a família e a olhar para a televisão despreocupadamente. Os últimos 15 minutos do filme “Melhor é Impossível”, que já vi inúmeras vezes, prendem-me a atenção. Helen Hunt é linda, sublime. Jack Nicholson brilhante. E apaixono-me pelas personagens e pela sua história. E desejo que a minha também fosse, de alguma forma, assim. E de repente reparo, no genérico final, a música que soa ao de leve. “Always Look On The Bright Side Of Life”, cantada por Art Garfunkel. Genial arranjo de uma música que normalmente só imaginaria associada ao seu autor, Eric Idle, e aos Monty Python. Assim, por entre as lágrimas que não chegaram a sair, um sorriso rasgado faz-me pensar que afinal até vale a pena andarmos aqui a sofrer, dia após dia. Porque há filmes assim. Porque há músicas assim. Porque há vidas por viver.</p>
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		<title>Hold still</title>
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		<pubDate>Mon, 23 Aug 2010 14:21:36 +0000</pubDate>
		<dc:creator>rvercesi</dc:creator>
				<category><![CDATA[(des)Contexto]]></category>

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		<description><![CDATA[In this little town cars they don’t slow down The lonely people here They throw lonely stares Into their lonely hearts I watch the traffic lights I drift on Christmas nights I wanna set it straight I wanna make it right But girl you’re so far away Oh, hold still for a moment and I’ll [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>In this little town<br />
cars they don’t slow down<br />
The lonely people here<br />
They throw lonely stares<br />
Into their lonely hearts</p>
<p>I watch the traffic lights<br />
I drift on Christmas nights<br />
I wanna set it straight<br />
I wanna make it right<br />
But girl you’re so far away</p>
<p>Oh, hold still for a moment and I’ll find you<br />
I’m so close, I’m just a small step behind you girl<br />
And I could hold you if you just stood still</p>
<p>I jaywalk through this town<br />
I drop leaves on the ground<br />
But lonely people here<br />
Just gaze their eyes on air<br />
And miss the autumn roar<br />
I roam through traffic lights<br />
I fade through Christmas nights<br />
I wanna set it straight<br />
I wanna make it right<br />
But man you’re so far away</p>
<p>Oh, I’ll hold still for a moment so you’ll find me<br />
You’re so close, I can feel you all around me boy<br />
I know you’re somewhere out there<br />
I know you’re somewhere out there</p>
<p>Oh, hold still for a moment and I’ll find you<br />
You’re so close, I can feel you all around me<br />
And I could hold you if you just stood still<br />
Oh, I’ll hold still for a moment so you’ll find me<br />
I’m so close, I’m just a small step behind you<br />
I know you’re somewhere out there<br />
I know you’re somewhere out there<br />
I know you’re somewhere out there</p>
<p>David Fonseca — <a href="http://www.youtube.com/watch?v=ARqlA8hHOeo&amp;feature=fvw">Youtube Video</a></p>
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		<title>Uma vida de sofrimento…</title>
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		<pubDate>Thu, 19 Aug 2010 23:41:16 +0000</pubDate>
		<dc:creator>rvercesi</dc:creator>
				<category><![CDATA[Pensamentos]]></category>

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		<description><![CDATA[A vida é sofrimento. Dizem os ensinamentos budistas. E têm razão. Senão vejamos: Nascemos num processo de sofrimento. Nosso, enquanto recém-nascidos, o choque de mudar de um meio “aquático” para um meio “aéreo”. O sofrimento de uma mãe, desde o início do processo de gestação, culminando no parto. Crescemos em sofrimento constante. As dores de [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A vida é sofrimento. Dizem os ensinamentos budistas. E têm razão. Senão vejamos:</p>
<p>Nascemos num processo de sofrimento. Nosso, enquanto recém-nascidos, o choque de mudar de um meio “aquático” para um meio “aéreo”. O sofrimento de uma mãe, desde o início do processo de gestação, culminando no parto.</p>
<p>Crescemos em sofrimento constante. As dores de crescimento. As descobertas, muitas vezes dolorosas, das estranhas e por vezes bizarras condições humanas. Chegando ao momento alto do sofrimento, a adolescência. Ai, sofremos por pertencer, por ser ou não ser, por estar ou não estar. Sofremos por que somos diferentes, porque somos iguais, porque nunca somos o que queremos ser e nem sequer imaginamos ser o que pretendem que sejamos. Nesta fase chegamos a sofrer só porque não temos mais nada o que fazer.</p>
<p>Então, gradualmente, vamo-nos esquecendo do sofrimento, para entrar na idade adulta. Mas o sofrimento não nos larga. É chegada a altura de sofrer porque precisamos de dinheiro. Precisamos de emprego. Queremos ou não assentar e criar família. E sofremos com as dificuldades. E sofremos com os outros e as suas dificuldades.</p>
<p>Depois, vêm os filhos. Ai sofremos por eles, em constante angústia. O processo de ser pai é doloroso, acreditem. E sofremos mais um pouco com as cólicas e mais um pouco ainda com as febres por causa da dentição. E depois sofremos quando choram e não sabemos o que se passa. E então passamos a sofrer porque choram por tudo e por nada. E sofremos na idade da prateleira. E ainda na idade do armário. E pelas Barbies e os Transformers. E os Power Rangers e a Power Puff Girls. E as Winx e mais não sei o quê… E depois sofremos quando chegam à adolescência. Começam a sair com os amigos/amigas. Serão que estão bem? Espero que não façam asneiras. Porque é que ainda não chegaram a casa? Ligamos para todo o lado em sofrimento imaginando os piores cenários. E então aparecem os namorados(as). E passa-nos tudo pela cabeça. E se engravidam? E se se deixam engravidar? E as drogas e os raptos e mais tudo e alguma coisa que vemos diariamente nos jornais e nas TVs. Até que eles começam a crescer e já não são crianças… E sofremos pelo futuro deles. A escola, a faculdade, o (des)emprego. E continuamos a sofrer por ver que sofrem e lutam como nós já lutámos.</p>
<p>E, no meio disto tudo, sofremos quando os nossos pais e avós vão desaparecendo. A dura realidade da nossa mortalidade e de todos os que nos rodeiam atinge-nos como uma bigorna lançada do espaço mesmo em cheio na testa. E sofremos pela falta que nos fazem. Sofremos pela falta que vemos que fazem aos que amamos. E voltamos a sofrer, todos os dias, um pouco, sempre um pouco. Mesmo que já não nos caiam as lágrimas pelo rosto. Mesmo que o mundo já nos volte a sorrir e o sol brilhe de novo. Mesmo que aceitemos a partida daqueles que nos são queridos como um passo natural da nossa passagem por esta existência.</p>
<p>Mais tarde, já os filhos criados, voltamos a sofrer. Porque estamos a entrar numa idade em que o corpo não nos deixa descansar. E a saúde não ajuda. E os osso também não. E tentamos racionalizar as coisas mas a cabeça já não é o que era. E o sofrimento volta a ser pelos outros. Por nos sentirmos inúteis, um fardo. E não sabemos como lutar contra o inevitável. E então sofremos ainda mais.</p>
<p>E então, já no fim, o sofrimento, mesmo que não seja físico, é concerteza o mais doloroso e contundente. Por sabermos que o nosso tempo está a acabar. Por nos lembrarmos de tudo o de bom e de mau. Tudo o que fizemos e deixamos de fazer. Os sonhos conquistados. Os sonhos desfeitos. Os amores, as paixões. A vida pela vida. E sofremos por saber que os que deixamos cá irão sofrer com a nossa partida. E sofremos por saber que não podemos fazer nada em relação a isso. E sofremos até que o último suspiro. Até que a luz se apague e o brilho dos nossos olhos se torne vácuo, espaço vazio e inabitado.</p>
<p>E depois, será que deixamos de sofrer? Voltando ao budismo, das duas uma (ou duas, para o caso), ou regressamos, para mais um ciclo, quer seja em forma humana ou de um qualquer outro ser vivo, ou então, conseguindo conquistar o <a title="Nirvana" href="http://en.wikipedia.org/wiki/Nirvana">Nirvana</a>, nos libertamos em definitivo do <a title="Samsara" href="http://en.wikipedia.org/wiki/Sa%E1%B9%83s%C4%81ra">Samsara</a>.</p>
<p>Honestamente, não sei. Apenas que tenho ainda uma (longa, espero) vida pela frente e deixarei que a minha consciência me guie, seja pelo bom ou pelo mau caminho. Quando chegar a minha altura de partir, logo se verá. Os meus únicos receios e, por consequente, desejos, são que quem deixo fique bem e que a minha vida tenha feito algum sentido, de alguma forma. E que isso não me deixe cair no esquecimento, nem que seja de uma família. Incógnita, como tantas outras.</p>
<p><strong><em><a title="Tashi Delek" name="Tashi Delek" href="http://en.wikipedia.org/wiki/Tashi_delek">Tashi Delek</a></em></strong></p>
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		<title>Novas confissões</title>
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		<pubDate>Wed, 18 Aug 2010 08:44:47 +0000</pubDate>
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				<category><![CDATA[Novas Confissões]]></category>

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		<description><![CDATA[Cansado da vida, repouso a carcaça num monte de segredos e memórias e logo descubro que sou monte de trapos. Roupa suja, enxovalhada, que um dia me esqueci de tratar. Penduro-me nas cordas, arejo as ideias e preparo um banho de sal. Cada lágrima que chorei no último ano lava-me como se de uma purga se [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Cansado da vida, repouso a carcaça num monte de segredos e memórias e logo descubro que sou monte de trapos. Roupa suja, enxovalhada, que um dia me esqueci de tratar. Penduro-me nas cordas, arejo as ideias e preparo um banho de sal. Cada lágrima que chorei no último ano lava-me como se de uma purga se tratasse e recordo os últimos dias ao sol. São assim as memórias, nem todas más. Nem todas dolorosas. Escrevo agora numa violenta fúria, no pânico de me esquecer de algo. Forço as palavras, evito os parágrafos por me fazerem perder espaço, tempo e o rumo. À luz de mais uma resma de desabafos incontidos, a carcaça revigora-se, os segredos transpiram confissões e as memórias passam a ser retratos de uma vida que ainda está a ser escrita. Mais um capítulo que se fecha. Mais uma página em branco à espera que eu a dite. Que a viva…</p>
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		<title>E se um dia…</title>
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		<pubDate>Mon, 09 Aug 2010 23:15:46 +0000</pubDate>
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				<category><![CDATA[Pensamentos]]></category>

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		<description><![CDATA[E se um dia me afundasse num buraco negro, e toda a luz que me rodeia desaparecesse comigo? Será que notaria a diferença da escuridão que teima em envolver-me?]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>E se um dia me afundasse num buraco negro, e toda a luz que me rodeia desaparecesse comigo? Será que notaria a diferença da escuridão que teima em envolver-me?</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Na verdade…</title>
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		<pubDate>Sun, 08 Aug 2010 22:21:15 +0000</pubDate>
		<dc:creator>rvercesi</dc:creator>
				<category><![CDATA[Pensamentos]]></category>

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		<description><![CDATA[Na verdade, vejo a minha vida a passar-me à frente dos olhos todos os dias, pensei. Não é preciso estar numa situação de morte eminente. Basta tomar consciência do que perdemos ao longo dessa mesma vida para a ver passar, em loop infinito. Quase que se poderia dizer que é uma partida de mau gosto [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Na verdade, vejo a minha vida a passar-me à frente dos olhos todos os dias, pensei. Não é preciso estar numa situação de morte eminente. Basta tomar consciência do que perdemos ao longo dessa mesma vida para a ver passar, em loop infinito. Quase que se poderia dizer que é uma partida de mau gosto da nossa própria mente. Ou seria da alma? Seja como for, estamos presos ao nosso  subconsciente, esse nível tramado de existência que nos massacra com imagens e mensagens nem sempre subtis do que nos rodeia, do que já não nos rodeia e do que gostaríamos que nos rodeasse… Em última análise, somos construídos por diversas camadas de filha da putice auto infligida…</p>
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