Sobre a curiosidade…

A curi­o­si­dade pela natu­reza humana pode matar. Mas tam­bém pode fazer com que se tenha von­tade de viver mais um dia.
A curi­o­si­dade pela natu­reza humana é, a par das reac­ções rela­ci­o­na­das com a secrec­ção de endor­fi­nas a que cha­ma­mos habi­tu­al­mente atrac­ção, o grande cata­li­za­dor das rela­ções huma­nas.
Veja­mos, como expli­car isto sem ferir sus­cep­ti­bi­li­da­des…
Todos os dias — ou pelo menos sema­nas — conhe­ce­mos alguém novo. No tra­ba­lho, em casa, no cami­nho de um para o outro. O que faz com alguns encon­tros pro­du­zam resul­ta­dos e outros não?
A atrac­ção? Cer­ta­mente, mas só isso não jus­ti­fica tudo. Natu­ral­mente que é um con­junto de fac­to­res, mas o que se des­taca sem­pre é: curi­o­si­dade.
Seja qual for a jus­ti­fi­ca­ção que encon­tra­mos para nós ou damos aos outros a ver­dade é que, sem­pre, sem­pre, há aquela curi­o­si­dade que nos faz ques­ti­o­nar: O que há por trás daquela fachada? Quero saber mais sobre esta pes­soa que se apre­senta à minha frente.
E, seja a pes­soa alta ou baixa, gorda ou magra, loira, morena, ruiva, com olhos assim ou assado, pele, cabelo, toque, voz, cheiro, ati­tude, há sem­pre quem fique curioso(a).
Mais, isso nem sem­pre tem a ver com ques­tões físi­cas ou emo­ci­o­nais. Pode, sim­ples­mente, ser uma ques­tão de curi­o­si­dade pura. Pasme-se! O ser humano é curi­oso! Claro, senão nem sequer tería­mos che­gado ao pata­mar onde esta­mos e que me per­mite estar a escre­ver este texto num com­pu­ta­dor. Mas tam­bém, e este é o ponto ful­crar, somos curi­o­sos ao nível mais básico, mais ani­mal. A sede de conhe­ci­mento.
Para mim, o que mais me atrai em viver dia após dia é saber que todos os dias há sem­pre algo novo para apren­der. Ora vêem como vol­tá­mos ao iní­cio da con­versa? Monó­logo, para ser mais cor­recto…
E o melhor conhe­ci­mento que existe é o da natu­reza humana.
Recen­te­mente conheci uma psi­có­loga. Não é a pri­meira psi­có­loga que conheci mas é uma das pri­mei­ras com quem tive opor­tu­ni­dade de con­ver­sar um pouco mais do que as babo­sei­ras do dia-a-dia mun­dano. Dou por mim a ter von­tade de con­ver­sar um pouco mais, todos os dias. Só pelo facto de que, no meu dia roti­neiro, é a melhor opor­tu­ni­dade que tenho de conhe­cer um pouco mais aquela pes­soa. A sua natu­reza e, quem sabe, tam­bém a minha pró­pria natu­reza.
Con­cluindo, conhecer-me, conhe­cendo os res­tan­tes, os que me rodeiam. O meu mundo.
Essa é a essên­cia da natu­reza humana. Essa é a última das curiosidades.

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One Comment

  1. Titan
    Posted 2009/12/08 at 15:42 | Permalink

    con­cordo com mui­tas das coi­sas que dis­seste. mas ha’ pes­soas, ou sitios, ou assun­tos que, no meu caso, se nao des­per­tam a minha curi­o­si­dade à pri­meira, nem val a pena insis­tir. e nao sei se a minha é pre­guiça mental…

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