Já não sei onde me escondo. Se dentro de mim ou à sombra de outros. A visão disforme da vida que imaginei sobrepõe-se ao ímpeto. Respirar é automático, inato, dizem. Não fosse isso, provavelmente já me teria cansado de fazer o mesmo movimento, sempre o mesmo movimento…
O caos a que cheguei começa a afectar-me na minha vida quotidiana. Casa, família, trabalho, amizades. Perdi a vontade de acordar de manhã. De me mexer.
Não interessa como ou o quê especificamente. Não interessa mesmo nada.
Não tenho fuga. A minha própria existência mo nega. Por mais voltas que dê, por mais que pense em alternativas, saidas ou fugas, não tenho escapatória. Só ganhando o totoloto da liberdade. Só assim…
No entanto, amanhã levanto-me, como noutro dia qualquer. Levo as miudas à escola, como noutro dia qualquer e faço o que tenho a fazer para continuar vivo.
A pergunta é. Porquê?