Sempre mãe

Quando as cer­te­zas se diluem em pala­vras vãs e tudo o que damos por garan­tido se esvai como se de o nosso san­gue se tra­tasse.
Quando cada ins­pi­ra­ção pre­cede aquela que poderá ser a última vez que expi­ra­mos.
Quando o sol bri­lha depois de uma tro­vo­ada mas sabe­mos que a qual­quer momento o cin­zento das nuvens pode vol­tar.
Quando ouvi­mos o último acorde daquela música que dese­ja­ri­a­mos que esti­vesse em loop infi­nito no MP3.
Quando dize­mos até ama­nhã sabendo que pode ser a última vez que o dize­mos.
Quando te bei­jei pela última vez, pele já fria, mas ainda assim, sem­pre tu.
Quando isso tudo me passa pela cabeça num tur­bi­lhão de emo­ções e dúvi­das.
Quando as memó­rias me tomam de assalto e me impe­dem de olhar em frente.
Quando a ansi­e­dade ame­aça tomar conta de mim.
Mesmo assim, quando isso tudo acon­tece, tenho a tua voz que ecoa no meu cora­ção. O teu olhar, sem­pre meigo.
As tuas últi­mas pala­vras guar­da­das com a minha exis­tên­cia.
A cada dia que passo em dúvi­das infin­tas, tu estás sem­pre lá.
A cada gol­fada de ar que engulo como se fosse a última.
A cada gota de chuva que se atra­vessa à frente do sol e me impede de ver.
A cada música pas­sada, pre­sente e futura.
A cada lem­brança. A cada memó­ria.
A cada passo que tenho que dar nas esco­lhas da vida quando que­ria que esti­ves­ses a meu lado.
A cada soluço con­tido. A cada lágrima per­dida.
A cada segundo.

Tu, sem­pre tu, sem­pre mãe.

Sau­da­des…

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