Novo ano. Primeiro texto. Nada… Não sai nada…
Será por sentir que ainda tenho que viver o que o ano me aguarda antes de deitar cá para fora o que me vai na alma? Ou por sentir que já disse tudo o que tinha a dizer?
A mudez é efémera se a alma grita por toda a eternidade.
O céu cinza continua negro. O céu azul pode esperar. As nuvens choram mais do que o ano passado. Estarão tristes?
Lisboa vestiu-se de luz para receber o Natal. Pobrezinho, este ano. O sujo da pedra e as cores gastas pelo tempo sobrepuseram-se às habituais coloridas decorações. Somente na baixa algo ainda persistia e mesmo assim…
Muitos turistas a deixar cá o seu dinheirinho. Ainda bem porque nós não temos e os senhores das lojas precisam de comer também…
Os escândalos políticos continuam. Os demais, também.
Mudou-se o ano mas não sei se as vontades. Mudou-se simplemente de calendário.
No entanto, se vos (nos) serve de consolo, pelo menos sabemos que daqui a 11 meses recomeça a loucura. O frio, a chuva, as luzes e o despesismo. Esses nunca mudam.
Serão fugas ou motivos esfarrapados para fugir à imagem de miséria dos restantes dias do ano?
Sinceramente, desde que me calhe alguma coisinha, nem que seja uma migalha de esperança, vou continuar a vaguear por Lisboa, fotografando a época mais festiva e hipócrita do ano…