Gostaria de ser “nativo” em todos os idiomas e culturas do mundo… Será pedir muito?
Eu explico. Presentemente estou a ler “2666” de Roberto Bolaño*, considerado o romance da década, etc. Estou muito no início mas gostar desde já. Escrita densa, no bom sentido. E uma das coisas que posso avançar, sem dar a conhecer todo o enredo, é que o romance gira à volta de três personagens, cada um de sua nacionalidade, que estudam, de uma forma ou outra, um autor alemão. Isso pôs-me a pensar que, não sendo da mesma cultura e não dominando totalmente o idioma, nunca poderemos ter a certeza de conseguir captar e apreender todas as nuances de um texto, seja ele qual for. Dos jogos de palavras, fonéticos ou de sentido, às referências culturais e políticas, haverá sempre qualquer coisa que nos escapará e, por isso mesmo, nunca conseguiremos saborear na totalidade um romance.
E, como diria Shakespear, eis a questão. Será pedir muito?
* Biografia (inglês) — Wikipedia
Artigo do Ípsilon (Público) — A segunda vida de Roberto Bolaño
Artigo do Ípsilon (Público) — Bolaño em Português