Com o passar dos dias, encurta-se o tempo. Marcam-se dias no calendário. Pontos de referência. Datas a não esquecer. Datas que ninguém nunca deveria lembrar-se. Datas que não deveriam ter existido.
Mas estão lá. E devemos lembrá-las. Sempre. Pelo que representam. Pelo que nos ensinam. Pelo que nos tiram e nos oferecem em simultâneo.
E sabemos que há dias que ansiamos. E desejamos. E outros pelos quais desejaríamos não ter de passar. Porque doem. Porque nos trazem à memória momentos difíceis.
E, depois de passarem, há dias que ficam na memória por terem sido bons. Curtos, querendo mais. Com desejo de avançar no calendário até ao próximo. E outros, que deixando-nos aliviados por já terem passado, nos aumentam a angustia de sabermos que voltarão, mais cedo ou mais tarde.
Ainda assim, todos são dias, míseras 24 horas num qualquer plano (divino, universal, chamem-lhe o que quiserem), num manto de retalhos que são as nossas vidas, todas interligadas por pequenas fibras. Fibras que fazem de nós seres, entidades, indivíduos, unos. E que, ainda que unos, não somos mais do que um grande calendário de efemérides que se repetem, segundo após segundo, dia após dia, vida após vida.