Já fui mui­tas coi­sas. Já fiz ainda mais. Mas dizer-vos quem sou é tarefa ingrata. Nem eu pró­prio sei. Penso que no dia da minha morte tal­vez tenha alguma ideia. Até, é uma cons­tante descoberta.

Cresci como tan­tos outros ado­les­cen­tes. Lar­guei os estu­dos, fiz asnei­ras atrás de asnei­ras. Enfim, uma ado­les­cên­cia nor­mal ;-) . Mas o que me dis­tin­gue de mui­tos é a fome de conhe­ci­mento. Não só o que vem nos livros. Quero saber um pouco de tudo e não quero saber tudo de nada. Foto­gra­fei pro­fis­si­o­nal­mente, fui disc joc­key, por­teiro e segu­rança na noite Lis­bo­eta, Bra­ca­rense e em San­ti­ago do Cacém. Toquei baixo em ban­das de pop, rock, grunge e har­drock. Escrevi poe­sia, letras e con­tos. Publi­quei alguns em livro. Tra­ba­lhei em publi­ci­dade para tele­vi­são. Cola­bo­rei em cinema. Tra­ba­lhei numa rádio. Mon­tei com­pu­ta­do­res, redes e aprendi a pro­gra­mar. Fui Direc­tor de Sis­te­mas, CTO/CIO. Tra­ba­lho como Ana­lista Pro­gra­ma­dor e em Ges­tão de Pro­jec­tos. Ambi­ci­ono criar a minha empresa. No meio disto tudo tive as minhas rela­ções. Juntei-me e separei-me umas quan­tas vezes. Tenho 3 filhas lin­das de mor­rer e podia quase dizer que se mor­resse hoje, mor­re­ria um homem feliz. Mas não. Ainda falta muito para que me sinta satis­feito com a vida. Recen­te­mente (tal­vez con­sequên­cia da idade), tenho-me dedi­cado mais ao estudo da alma. Não que tenha medo de ir para o inferno. Se exis­tir e tiver que ser, paci­ên­cia. Ape­nas por­que sinto que há muito por explo­rar. E quero absor­ver ao máximo o que o mundo e o uni­verso tive­rem para me dar. E, se con­se­guir, trans­mi­tir às minhas filhas as coi­sas mais impor­tan­tes. Não ambi­ci­ono o estre­lato. Não quero ser mili­o­ná­rio. Basta-me ser um reme­di­ado reco­nhe­cido pelo tra­ba­lho e pelo legado. Por­que o meu maior medo é cair no esquecimento.

E, se depen­der de mim, daqui a mui­tos e mui­tos anos, alguém, algu­res, lembrar-se-á de mim.