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3º Capítulo
Hoje, para além dos medicamentos, tive um verdadeiro jackpot. No meu tabuleiro de pequeno almoço repousava, a aguardar que o devorasse, um doce de alperce. Fiquei tão estupefacto que fui indagar. (não fui porque não posso sair da cama, mas carreguei no botaozinho S.O.S.) Qual o meu espanto quando me dizem que eu podia sempre escolher doce, queijo ou manteiga. Afinal ainda há pequenos pedaços de céu.
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Como já devem ter dado conta, eu não escrevo datas. Também já devem ter dado conta que estou com uma grave dislexia no que diz respeito a repetir silabas. Não faço ideia porque será.
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Tenho a sensação que, depois de tratarem dos pacientes, ao fim do dia, deve haver paródia entre enfermeiros, médicos e auxiliares.
Pitch para filme:
Unidade Hospitalar, “perfeita”, equipa perfeita. Todas as noites, não se sabe exactamente onde nem nem (irra!), durante 15 minutos não há regras.
2º Capítulo
Desculpem-me a letra quase críptica. Os médicos dizem que é assim mesmo, dado uma conjunção de factores. 1º muito tempo sem escrever à mão (mea culpa); 2º nas actuais circunstâncias estou mais fraco, o que se reflecte na qualidade do traçoe, em simultâneo, no vocabulário e demais ferramentas auxiliares.
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Estou com frio. Provavelmente febre. É isto que me anda a lixar a terapêutica. Significa que não está a funcionar a 100%. Agora resta decidir se, com este método, mesmo demorando mais tempo, se consegue a cura ou, se pelo contrário, é necessário recorrer à cirurgia.
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Tou com uma ped…
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É deprimente reler o que escrevemos e descobrir que a ortografia e o sentido geral das coisas se perdem para sempre.
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Ainda não sei se deva dar o formato – diário – e depois arranjo um caderno a condizer ou transformo isto num ensaio surrealista sibre as experiências de um doente do coração.
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Há dias em que me entretenho a contar cadeirões. Não sei porquê. Apenas porque sim. Afinal, se estão aqui, porque não?
Ainda por cima, se formos a pensar nisso, eles usam o quarto como depósito. Depois, ao longo do dia, vão saindo, um a um, para satisfazer as necessidades de cada paciente.
Neste momento, estão 6 cadeirões (não perguntem como sei, mas sei). E o que é que isso contribui para a nossa felicidade? Rigorosamente nada. Mas isso é que é bonito na vida. Nem tudo tem que fazer sentido. Porque só assim encontras o verdadeiro sentido. O teu verdadeiro sentido. E é por isso que estão 6 cadeirões.
Ah! Esqueci-me. Temos um relógio de parede que praticamente controla a nossa vida.
Continuo a escrever de forma bizarra. Paciencincia <- Estão a ver?