Estou numa fase de merda. Ou a merda está a inundar-me de fases. Já nem sei. Os dias passam e o tempo escoa-se no piscar incessante dos digitos do relógio no meu monitor. Rai’s partam a vida que temos. É que nunca estamos satisfeitos com a vida nem a vida nos deixa sossegados. Irra! Seja porque motivo for, há sempre algo que está mal. E pronto, já estamos na merda novamente… Se por um lado deveriamos darmo-nos por contentes pela vida em si, pela saúde — nossa e dos que nos são queridos — tão depressa a vida nos prega uma rasteira e nos espeta num hospital durante boa parte do ano e nem sequer temos tempo para gozar os últimos meses de vida de quem nos trouxe ao mundo… Onde está a merda da justiça? Que se lixem os beatos — religiões aparte — que apregoam que o destino nos está traçado e que alguém, algures, assim o quiz. Mas que merda é esta? E já nem falo por mim, que tenho um karma pesado como o evereste. Sei bem as asneiradas que tenho feito. Mas, e os miúdos? As crianças, que não têm culpa nenhuma. Essas, por muito que tentemos explicar-lhes, só daqui a uns aninhos vão perceber porque é que a a vó morreu e já não pode estar com elas. E isso é justiça? Como explicar a uma criança de 5 anos que a avó morreu? Como responder quando nos perguntam, uma e outra vez, porque é que já não podem ir brincar com a avó? E isso é justiça? Tenho estudado o budismo… Mas agora pergunto, que karma têm estas crianças? Não se diz que as crianças são inocentes? E isso é justiça? Deixem-me lá fazer o meu luto, mandar as minhas bocas, ainda que porcas, obscenas e tudo o mais. Mesmo que ofendam beatas e beatos da vida. Merda, muita merda, é o que vos desejo. No bom e no mau sentido. Pois, se de merda é o mundo feito, então, tal como eu, desemmerdem-se (é assim que se escreve?)…