Aos gajos que mandam e fazem as leis…
Numa altura em que o tema de conversa preferido do país e de todas as mesas de refeição é a desgraça a que isto chegou, as trapaças a que o governo nos condenou e às dívidas a que acumulamos numa base diária, olho para a televisão e para o jornais e percebo que afinal não percebo nada disto. Ora, eu até me considero uma pessoa culta, interessada e com um palmo de testa. Mas a verdade é que metade das coisas que ouço nos noticiários são novidade ou uma confusão danada. E depois vem o facto de me aperceber que, no meio disto tudo, nem mesmo o que aprendi na escola me preparou de forma alguma para o que teria que enfrentar na minha vida adulta. Ora então, senhores legisladores e demais autoridades ligadas ao ramo da educação, aqui fica uma sugestão: criem uma disciplina que ensine os adolescentes nas adversidades (na verdade, na burocracia, mas eu considero a burocracia uma adversidade) e demais vicissitudes da vida adulta. Relativamente às finanças e mecanismos associados; relativamente à segurança social; relativamente ao serviço nacional de saúde. E estes só são aqueles que me lembro assim de cabeça. E porquê? Agora que os recém nascidos são “contribuintes” e precisam do número — querem conceito mais idiota? — e que temos milhentos números que nos identificam (BI, NIF, NISS, Cartão de Eleitor, Carta de Condução, etc…), quando acabamos o Ensino Secundário / Superior e entramos na chamada vida “activa” (porque antes e depois somos parasitas?) deparamo-nos com bancos e a sua lengalenga, finanças, seguros, automóveis, casa, segurança social e demais papeladas e tretas burocráticas sem o mínimo de preparação. E aprendemos com os erros essencialmente. Porque nem mesmo quem nos poderia auxiliar o faz. A velha máxima do funcionalismo público aplica-se ainda. Nada contra os funcionários públicos — já fui um — mas sei que, na maioria dos casos, o seu trabalho é uma seca, feitos por obrigação, em que são poucos os exemplos de quem faça o que faz por gosto. Mas divago. A verdade é que, pelo menos desde a minha geração — não podendo falar pelas anteriores — que a educação que temos — e que somos obrigados a ter — é muito parca em noções do que é a vida civil na idade adulta. E talvez assim não haja no futuro tanta gente endividada ou em incumprimento das suas obrigações sociais. Só porque estariam preparadas de antemão. Pensem lá nisto um bocadinho…